sábado, 22 de julho de 2017




Apostei naquele sorriso 
não era todo pra mim 
Não vi as curvas do caminho 
E nem nossos laços virando nó. 

Não respeitei a garganta seca 
O frio na espinha 
Distorci as palavras 
Enlouqueci perto do fim.

Dispara meu coração 
Quando percebo 
Que sem suas mãos 
A folhear meu corpo 
Sou apenas um livro 
Lido e esquecido. 

Dentro de mim 
Escritas nas páginas 
De um ardente fascínio 
Estão as horas feitas de amor.

As horas em que fizemos amor 
E as horas que nos amaram 
Antes do tempo, depois do amor 
Agora, dispara meu coração 
Eu lhe peço, diz para meu coração: “para!” 

De uma vez por todas 
Pare de ficar longe de mim 
Pare de ficar perto do "nós" 
Você é tão singular, e eu todo plural. 

Rasgue as noites vazias 
Em que ficamos separados 
Nunca mais me deixe só. 

Apostei, mesmo assim 
Que você voltaria 
Apostei, mas é o fim.

Eduardo Soares e Patrícia Rocha

Imagem: Internet

sexta-feira, 26 de maio de 2017



É cheiro de mata
De pés cansados
Do que germinou 
Do que ainda vou colher

É vida que sopra
E balança os pensamentos

É sol que aquece feito abraço 
É chuva que molha feridas 
São lágrimas de mar, sal
É aqui e ali
É o amor que vai florir
É semente brotando

Somos nós nascendo aqui.

Patrícia Rocha


Imagem: Pinterest

quarta-feira, 9 de novembro de 2016



Tem um mar dentro de mim.

É imenso.

É revolto.

Faz marolas e tem anseios por barcos.



Tem um rio dentro de mim.

Calmo, que gosta de cachoeirar.

Gosta de ser doce.

Mas, sempre acaba virando mar.


Patrícia Rocha

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Imagem da internet

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

"(...) A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. 
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. 
Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma."

Marina Colasanti


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Jeremy Lipking

A gente se acostuma que é para não ferir o certo. O novo garante uma sucessão de incertezas, já o velho mora no aconchego do medo.
A gente se acostuma porque dói menos e no mais já estamos cansados. O velho tem vista para o mar, suco geladinho. O novo é aquela trilha que a gente nem sabe aonde dará. Então a gente se acostuma porque é mais fácil se ferir, acostumamos a nos sabotar.
Mas hoje não. Não quero vista para o mar, quero ser o próprio mar e suas correntezas. Quero poder trilhar o novo sem o medo palpável da incerteza, e para quê saber? Se o que me move é a fé. 
E quando se tem fé, vamos até de olhos vendados aos pés do precipício, se houver o pulo, não caio eu voo. Isso é fé.

Patrícia Rocha

*Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016


Menina do fio de sentimento, dado a alguém de querer bem.
Ela costura dia a dia esse amor. 
Nessas linhas bem traçadas em agulha fininha, mas de pontos fortes.
É um carinho diário, que essa menina de encantos, feita de prantos fez pra recompensar o seu pesar.

É um sentimento aparentemente frágil, por ser feito de linha, mas não sem enganem, os pontos são bem dados e no fim ela enfeita tudo com laço de fita.



Patrícia Rocha
#curtaconto


Fecundação

Imagem: Dorina Costras

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Do breu eu olho e não avisto nada.
Será possível que nada ali habita?
Vasto céu que a procura, emana sobre a menina o brilho que outrora se foi.
Procura de lá, de cá.
Doce ser perambulante que mora nos sonhos, dos ventos e sopros.
Procura de lá, de cá.

- Acorda menina, que aqui procuro. Desperta o ser que em ti faz morada, põe sobre as asas a fé incansável. Menina voou, despertou sua luz.


Mariane Cassimiro



A noite estrelada - Vincent Van Gogh

Sobre a autora:
Mariane Cassimiro tem 24 anos, é Atriz formada pela Oficina de Atores, atualmente graduando Atuação Cênica na Unirio. Professora assistente na escola de atores CN Artes, dirigida por Cininha de Paula, exercendo um trabalho com crianças e adolescentes. E também é uma excelente escritora.
 
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