sexta-feira, 26 de maio de 2017



É cheiro de mata
De pés cansados
Do que germinou 
Do que ainda vou colher

É vida que sopra
E balança os pensamentos

É sol que aquece feito abraço 
É chuva que molha feridas 
São lágrimas de mar, sal
É aqui e ali
É o amor que vai florir
É semente brotando

Somos nós nascendo aqui.

Patrícia Rocha


Imagem: Pinterest

quarta-feira, 9 de novembro de 2016



Tem um mar dentro de mim.

É imenso.

É revolto.

Faz marolas e tem anseios por barcos.



Tem um rio dentro de mim.

Calmo, que gosta de cachoeirar.

Gosta de ser doce.

Mas, sempre acaba virando mar.


Patrícia Rocha

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Imagem da internet

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

"(...) A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. 
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. 
Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma."

Marina Colasanti


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Jeremy Lipking

A gente se acostuma que é para não ferir o certo. O novo garante uma sucessão de incertezas, já o velho mora no aconchego do medo.
A gente se acostuma porque dói menos e no mais já estamos cansados. O velho tem vista para o mar, suco geladinho. O novo é aquela trilha que a gente nem sabe aonde dará. Então a gente se acostuma porque é mais fácil se ferir, acostumamos a nos sabotar.
Mas hoje não. Não quero vista para o mar, quero ser o próprio mar e suas correntezas. Quero poder trilhar o novo sem o medo palpável da incerteza, e para quê saber? Se o que me move é a fé. 
E quando se tem fé, vamos até de olhos vendados aos pés do precipício, se houver o pulo, não caio eu voo. Isso é fé.

Patrícia Rocha

*Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016


Menina do fio de sentimento, dado a alguém de querer bem.
Ela costura dia a dia esse amor. 
Nessas linhas bem traçadas em agulha fininha, mas de pontos fortes.
É um carinho diário, que essa menina de encantos, feita de prantos fez pra recompensar o seu pesar.

É um sentimento aparentemente frágil, por ser feito de linha, mas não sem enganem, os pontos são bem dados e no fim ela enfeita tudo com laço de fita.



Patrícia Rocha
#curtaconto


Fecundação

Imagem: Dorina Costras

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Do breu eu olho e não avisto nada.
Será possível que nada ali habita?
Vasto céu que a procura, emana sobre a menina o brilho que outrora se foi.
Procura de lá, de cá.
Doce ser perambulante que mora nos sonhos, dos ventos e sopros.
Procura de lá, de cá.

- Acorda menina, que aqui procuro. Desperta o ser que em ti faz morada, põe sobre as asas a fé incansável. Menina voou, despertou sua luz.


Mariane Cassimiro



A noite estrelada - Vincent Van Gogh

Sobre a autora:
Mariane Cassimiro tem 24 anos, é Atriz formada pela Oficina de Atores, atualmente graduando Atuação Cênica na Unirio. Professora assistente na escola de atores CN Artes, dirigida por Cininha de Paula, exercendo um trabalho com crianças e adolescentes. E também é uma excelente escritora.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

- O que essa poeira faz no canto da casa?
- Por que os tacos estão soltos e arranhados?

Foi o tempo meu bem, que passou e zangado sacudiu a poeira para o canto e não deixou que os tacos fossem cuidados.
O tempo se encarrega de limpar e sujar. Depende de como deixamos ele passar.
E nós em tentativas fracassadas adiamos nosso fim. E a casa também morre conosco.
Então, esse piso mal cuidado carrega o peso do nosso corpo e histórias.
Das vezes que deitados, só esperávamos o tempo passar.

Patrícia Rocha






Lamitie - Pablo Picasso
 
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