sexta-feira, 26 de janeiro de 2018


Poesia do meu livro Poesias Inacabadas em Mim.
Querendo adquirir um exemplar entre em contato pelo e-mail: patricia.cassimiro@gmail.com


Imagem: D.A


segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Sobre ser.

Queria ser vento
Que faz passarinho bailar
Que faz barco navegar.

Queria ser chuva
Que refresca a vida
Que faz a planta crescer.

Queria ser caminho
Que faz a direção
Que faz chão
Que faz terra.

Queria ser pedra
Que faz a construção
Que faz ficar forte.

Mas não sou
Sou essa mulher
Que faz o pão
Que faz o filho
Que foi mãe
Que foi filha
Que faz bem querer
Que traz bem dizeres.

Patrícia Rocha

domingo, 21 de janeiro de 2018

Depois de você.

Depois de você
Meus lábios secaram
Meu abraço endureceu
Meu sorriso se esqueceu.

Depois de você
Meu corpo perdeu as curvas
Minhas mãos não agarram mais
Minha vida diluída.

Depois de você
Meu olhar
Meu suor
Meu eu
Tão ímpar
Deixou de ser par.

Patrícia Rocha

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Ser mar.

Eu pulo
Escapo
Pedra por pedra
no asfalto
Ou sobre o mar.

Afogada
Alagada
Voltei.

Em passos
Nas pontas
Dos dedos
Meus pés
Cansados
Navegaram.

Tem um mar em mim
Que um dia foi cachoeira
Foi rio
Foi amar.

Patrícia Rocha

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Estamos aqui.

A gente pede pouco
Quando o muito nos toma
A gente se guarda pouco
Quando o abrigo é imenso
Pois proteção cabe no abraço.

A gente escolhe pouco
Pois é tanto que se dá
Que nossos pedaços
São os inteiros que nos restam.

A gente vive pouco
Mesmo quando é imenso
Esse sentimento
Essa onda
Esse naufrágio.

É  por tanto
Que estamos aqui
E por tanta

Que continuamos
Que pisamos
Nessa terra batida.

Patrícia Rocha

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Não queria que ele voltasse.

Vigiei o tempo
Não queria a chuva.

Vigiei os cantos
Não queria as curvas.

Vigiei os ponteiros
Não queria que passassem.

Vigiei a goteira
Não queria o desperdício.

Vigiei meu corpo
Não queria os contornos.

Vigiei a mulher
Não queria que voltasse.

Vigiei a terra
Não queria que brotasse.

Vigiei o vizinho
Não queria que me olhasse.

Me vigiei
De longe
De perto
Das formas que me couberam
Não queria que ele voltasse.

Patrícia Rocha

 
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